This is the End
Segunda feira volto para Brasília, com o melhor sentimento possível que se pode ter nessas horas. Um misto de felicidade e tristeza. Isso quer dizer que eu gosto da minha vida o suficiente para querer voltar para ela, mas que também gostei o bastante das minhas férias para não querer que acabem logo.
Passei dois dias em São Miguel do Gostoso. Não é um nome adorável? Li muito, escrevi mais um grande bocado, tive boas idéias e anotei todas. Pensei sobre a vida, caminhei numa praia bonita, vi barquinhos, achei uma pedra esquisita que mais parecia um monstro ou um rosto fantasmagórico. Desisti de ser morena, mas, felizmente, também desisti de ser gorda. Meu regime começa amanhã porque hoje eu vou estrear o Sanduba do Pierre, que a gente fala em bom sotaque français e que abriu essa semana aqui em Natal.
Falando em Estrangeiros...
Estava eu filosofando e me horrorizando a mim mesma em relação ao meu próprio self. Estou preocupada com minha mente liberal, meu coração libertário, minha alma lockeana. Não passei um dia sem me espantar com algo que eu já conhecia. O tanto que tem gente feia, gente ignorante, gente pobre, político ladrão e gente mal educada por aqui.
Sei que parece racismo dos mais horríveis e pode até ser, mas, é a experiência que eu sempre tive.
Voltando. Estava eu no Midway Mall, que nós chamamos carinhosamente de Minduim Mall ou Me Dei Mal, novo shopping da capital potiguar, querendo me livrar dos pensamentos críticos e pedantes e não conseguindo porque meu senso estético era violado de minuto a minuto, quando vi um casal típico. Europeu bonito, italiano que eu pedi a Deus, com uma moça feinha, magrinha, barrigudinha e com três bambini dos mais fofos.
Perante prole tão simpática, tive um pensamento "melhoramento genético" e quase chorei de horroro a mim mesma. Minha mãe riu da minha cara e simplesmente disse que miscigenação, ao contrário do que acreditava Hitler, sempre fez bem pra espécie e que eu estava até um tanto certa. Meu coração libertário e que ama todas as raças, que já vem se chateando consigo mesmo devido ao fato dele ter horror a Hizbolahs da vida e preferir Israel a palestinos comandados por radicais armados, ainda não se acalmou.
Depois, mais fatos cruéis da vida. Conversando em família, chegamos à conclusão que europeu vindo catar prostitutas no nordeste é o que há de melhor para as garotas. A maioria são filhas de alcóolatras, que antes teriam na vida apenas a chance de ter um filho do próprio pai, ou arranjar um marido que tivesse a mão menos pesada. Agora elas podem sonhar em ir pra Europa e não apanhar mais. Ajudar a família daqui, ter roupas bonitas e filhos que vão ser atendidos por uma rede decente de saúde. Não terão que dar seus filhos, como seus pais fizeram.
É fato e já foi visto. Conhecemos uma pessoa que sempre "adotou" garotinhos. Os pais procuram ele e lhe oferecem seus filhos pequenos por uma sexta básica por semana durante um ano, e já ofereceu uma menina também, para caso ele conhecesse alguém que gostasse de meninas. E eles não fazem isso porque são pessoas malvadas e que vão para o inferno. É melhor para os filhos deles, serem os garotinhos de algum pedófilo com dinheiro do que continuar naquela vida.
Por que eles iriam achar o contrário? Só quem tem dinheiro para alimentar todos os filhos que tem que acha um absurdo sexo infantil. Eles acham um absurdo fome. Pai bêbado. Pai que estupra os próprios filhos. Crime. Tudo bem real. E essa questão desse conhecido nosso adotar meninos sempre foi para mim uma coisa sobre a qual eu sempre preferi não dar opinião. Ele sempre tirou seus garotos das piores das vidas e deu casa, comida, roupa lavada, estudo, emprego. Um deles, tem, hoje, uma vida normal e feliz, trabalha, é formado, tem família bonita, filhos que herdaram a pele morena e os olhões verdes que atraíram o pedófilo. Só que ele não vai precisar vender um filho dele, graças a Deus.
É muito difícil ser idealista no Brasil.

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