Quinta-feira, Julho 26, 2007

Uma discussão muito boa e rápida aconteceu no thread do Global Voices Online Português, depois que eu comentei que estava ausente por Potter motives. Comentávamos, eu, Dani e Paula sobre o vazamento do novo livro do Harry Potter e como o mundo da informação evoluiu tanto e as editoras de livro parecem que acabaram de descobrir a imprensa. Não levam em conta a internet, não levam em contas os buracos que existem e tratam uma história como se fosse algo físico e pesado, difícil de se extraviar como uma imensa barra de ouro.

As pessoas, hoje, ainda não sabem dizer como funciona o mundo da internet. Não digo que isso seja culpa só das editoras. Eu não sei tão bem. As gravadoras de cd também não sabem muito o que fazer, mas garanto que estão à frente das editoras. Tratam a internet como um veículo ótimo de propagação da informação, de propaganda, de formas das pesoas conhecerem seus produtos e comprarem-nos. Porque, a compra, a posse, a necessidade da propriedade privada, é uma coisa cultural muito arraigada nas nossas vidas, e muitas pessoas ainda compram cds. O problema é depender de rádios para conhecê-los. Rádios e seus jabás. Sem contar que o que se faz nessa vida sem dinheiro? O que se faz nesse mundo capitalista sem capital? Quem ama a Lily Allem baixa seus discos na internet, vê seus clipes no youtube, vai nos seus shows, compra seus cds ao vivo, suas versões diferenciadas, seus cds cheios de fotos. Compra suas roupas. Lily Allen tem uma coleção de roupas, sabiam?

E Lily Allem começou aqui, na internet. Pelos meios mais fáceis de se comunicar com o mundo. O meio que não requer agente, dinheiro, jabá, influenciar doze pessoas, conquistar duzentas, enfrentar aquela tpm da secretária do dono da gravadora, depender do mal gosto e da falta de criatividade dos cargos administrativos que não entendem muito de música.

O que vende? Eles perguntam. A Internet não pergunta nada. Absolutamente nada. Você grava, você coloca na internet. Você paga muito menos por isso e corre muito menos risco de não chegar até os ouvidos daqueles que irão gostar do que você tem para falar.

Agora sobre o fenômeno Potter... Primeiro eu gostaria de pedir desculpas a amadíssima J.K Rowling que tanto pediu para não estragarem a história dela. Eu li antes de lançar. E deve ser por isso que eu ainda tenho nervos, porque houve um probleminha e meu livro chega aqui na sexta, quase uma semana depois de seu lançamento. Eu amo demais aqueles livros e estava ansiossíma para ler. Sabia que muitos mistérios estavam todos contidos naquele último livro. E meu coração temia demais pela vida dos meus amados personagens. Eu sou assim, totalmente sentimental e envolvida com os livros que leio. Mas, se a Jk está preocupada com não vender seus livros, acho meio estranho ela sequer pensar nisso já que Deathly Hallow já pegou o primeiro lugar dos livros mais vendidos por antecipação.

Poucas pessoas que, como eu, leram antes do lançamento, não compraram o livro antes de lançar. Eu já tinha dado o dinheiro. Estava só esperando, como ainda estou. Como vejo os filmes mesmo eles sendo ruins só porque quero ver os thestrals, quero ver Hogwarts. Quero ver quadribol. Vou comprar os outros livros em inglês, vou no parque temático quando for rica.

Mas, se o suspense era o mais gostoso (e mais dolorido também, para alguém tão curiosa quanto eu), que fizessem direito, não é mesmo? Não levaram em conta a internet, aquele tipo de ameaça pequena e furtiva típica da rede. Um funcionário rouba alguns livros e vende. Pode ser um cara que carrega caixas, ou que monta os livros. Ou talvez a imprensa não poderia ser um pouco mais rápida? E o lançamento poderia ser tão world wild que poderia ser world wild web.

Mas, esses são erros de um problema de adaptação ao mundo ao seu redor que seres humanos têm quanto mais grandes empresas. O pior tópico que foi levantado na nossa pequena discussão foi a Rocco, a versão brasileira e a tradução. Dessa vez não vou xingar a Wyler.

Novembro. Gente, Novembro! O livro vai ser lançado aqui em Novembro! Vamos contar: Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro. Cinco meses! Vamos tirar Julho e Novembro, sim? Porque eu acho que é no comecinho de Novembro, meu presente de aniversário (as if I care) e foi lançado mais pro final de Julho, né? Vamos ser legais. Três meses! No mundo da informação que hoje é rápido e informal, a Rocco vai demorar 3 meses para traduzir e lançar o livro.

Sites com forças-tarefas voluntárias, já estão acabando, se já não acabaram de traduzir o livro inteiro. Ela leu traduzido quando vazou! Pra quê esperar três meses quando no mundo real tudo é mais rápido?

Sei que é lindo ter um livro nas suas mãos, cheirá-lo e guardá-lo. Muitas pessoas amam. Mas, no mundo da informação, não é bem o concreto que mais conta. E 3 meses é tempo demais. 3 meses para fazer uma edição mais bem trabalhada, eu entendo. Mas, se bem me lembro do sexto livro, tinham versões com uma diagramação muito pobre que foram vendidas mais barato.

Mas, demoraram o mesmo tanto.

Sou psicóloga e entendo a dificuldade do homem de sair de seu local seguro e evoluir. Mas, também aprendi que isso é necessário para a saúde mental das pessoas. E no caso das empresas, a saúde financeira também.

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