Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Ciganada


Esta carta contém um dos simbolismos mais complexos do Tarôt, mostra a imagem de um homem suspenso por um pé, amarrado em uma viga de madeira, a qual esta apoiada entre duas árvores ou pilares, cada uma com seis ramos cortados, onde significa o mundo material (a forma do quadrado). O Enforcado representa a sujeição e o sacrifício aos quais são submetidos todos aqueles que perseguem um ideal. Também está relacionado com o tema da levitação, do vôo durante os sonhos e do isolamento dos místicos. Neste sentido, os doze ramos cortados expressão a extinção da vida, por isso, este arcano representaria aquele que não vive a vida terrena, mas que está num mundo de sonhos idealizados.
Ele tem uma expressão serena com as mãos nos bolsos, como se estivesse observando. Isso quer dizer que às vezes, temos que olhar as coisas por um outro ângulo para que possamos compreendê-las.


Como coerência escolhendo o des curso,
Hoje meu palco só dança o silêncio.
E não há nada que eu mais queira. Nem dizer.
Exprimir, espremer;

remoendo eu me calo.
O mudo, o calado,
o solfejo calejado.
Meu cúmulo, meu cale-se
sorvido, mudado.

Essa muda,
arranca-se pela flor.
Não destema: o medo é a proteção do estupor.
Essa muda,
esta noite não escolhe sol
não recolhe a folha,
não permeia o chão.
Desenterra-se, desatando as veias da nutriz.
Não há mais que um chafariz borrifando sementeira
outras zil sementes que despontarão
ou apodrecendo, adubarão.

Assim.
Orgânico como um refrão. Pedindo sempre bis.



Passeei meus últimos passeios
tropeçando meus dedos que, aéreos, eram tocados ao chão.
E como a gravidade é grave o suficiente para se tornar realidade,
não há poesia entre o caminhar e o desprender-se,
não há poesia entre o vento e o cimento,
ora, não há, entre o vazio e o vão.
Não há que ha)ver poesia entre a realidade e a queda. Não há queda. Nem tampouco realidade em que se assente.
Não há alívio, não há visão.
Nao há,
sinceridade no olhar porque ninguém sabe sincero além do que quer ver. Não há chão.
À não ser,
um caminhozinho, decorado e pavimentado, cuidadosamente desmatado e replantado,
um jardinzinho circundado que a gente monumenta pra medir algo maior que a maior de nossas impotências. Auto-sustentáveis.
Não há que haver poesia entre o acordar e o adormecer,

porque não se faz nada além de despertar e em seguida adormecer, acordando em seguinte pra dormir algo mais, que não cabe mais em nossos sonhos.

"Não há o que lamentar, quando chega o fim do dia..." Arnaldo Antunes in Fim do Dia

http://www.youtube.com/watch?v=6zybxkooyGo e EMIR KUSTURICA, um bósnio. "Gipsy Blue" - de 2004... 2005..., por agora mesmo.

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