Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Lamúria


- Meu filho do Céu! Olha seu irmão na Terra, minino,
e olha o outro irmão caindo ali pelas águas! - Senhora da bacia, meu pai que me reggae!
- Minina do Céu! Estira esse dedo pra fora desse fogo minina,
que teu outro já carrega o quente entreabertamente sorridente, como às frescas da serenidade; bobagem!
periga ele, se não sumir, deitar a água frito e cair cinza!
- Sacode meu Santo Pagode! Moleque de quengo leve! Tanto, - feito asa de galinha que simplesmente não sabe de verdade o que é voar - quanto logo se deve lançar aos barrancos dos trampos ou tropeçar nos lins...








do Lat. lemuria, festas em honra de lémures ou almas dos mortos
s. f.,
queixa;
lamentação;
jeremiada;
fig.,
narração fastidiosa de desgraças, para se alcançar aquilo que se pede.

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Ciganada


Esta carta contém um dos simbolismos mais complexos do Tarôt, mostra a imagem de um homem suspenso por um pé, amarrado em uma viga de madeira, a qual esta apoiada entre duas árvores ou pilares, cada uma com seis ramos cortados, onde significa o mundo material (a forma do quadrado). O Enforcado representa a sujeição e o sacrifício aos quais são submetidos todos aqueles que perseguem um ideal. Também está relacionado com o tema da levitação, do vôo durante os sonhos e do isolamento dos místicos. Neste sentido, os doze ramos cortados expressão a extinção da vida, por isso, este arcano representaria aquele que não vive a vida terrena, mas que está num mundo de sonhos idealizados.
Ele tem uma expressão serena com as mãos nos bolsos, como se estivesse observando. Isso quer dizer que às vezes, temos que olhar as coisas por um outro ângulo para que possamos compreendê-las.


Como coerência escolhendo o des curso,
Hoje meu palco só dança o silêncio.
E não há nada que eu mais queira. Nem dizer.
Exprimir, espremer;

remoendo eu me calo.
O mudo, o calado,
o solfejo calejado.
Meu cúmulo, meu cale-se
sorvido, mudado.

Essa muda,
arranca-se pela flor.
Não destema: o medo é a proteção do estupor.
Essa muda,
esta noite não escolhe sol
não recolhe a folha,
não permeia o chão.
Desenterra-se, desatando as veias da nutriz.
Não há mais que um chafariz borrifando sementeira
outras zil sementes que despontarão
ou apodrecendo, adubarão.

Assim.
Orgânico como um refrão. Pedindo sempre bis.



Passeei meus últimos passeios
tropeçando meus dedos que, aéreos, eram tocados ao chão.
E como a gravidade é grave o suficiente para se tornar realidade,
não há poesia entre o caminhar e o desprender-se,
não há poesia entre o vento e o cimento,
ora, não há, entre o vazio e o vão.
Não há que ha)ver poesia entre a realidade e a queda. Não há queda. Nem tampouco realidade em que se assente.
Não há alívio, não há visão.
Nao há,
sinceridade no olhar porque ninguém sabe sincero além do que quer ver. Não há chão.
À não ser,
um caminhozinho, decorado e pavimentado, cuidadosamente desmatado e replantado,
um jardinzinho circundado que a gente monumenta pra medir algo maior que a maior de nossas impotências. Auto-sustentáveis.
Não há que haver poesia entre o acordar e o adormecer,

porque não se faz nada além de despertar e em seguida adormecer, acordando em seguinte pra dormir algo mais, que não cabe mais em nossos sonhos.

"Não há o que lamentar, quando chega o fim do dia..." Arnaldo Antunes in Fim do Dia

http://www.youtube.com/watch?v=6zybxkooyGo e EMIR KUSTURICA, um bósnio. "Gipsy Blue" - de 2004... 2005..., por agora mesmo.

Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007


"Quem nos deu asas para andar de rastros?

Quem nos deu olhos para ver os astros - Sem nos dar braços para os alcançar?!..."

Florbela Espanca

Adooorei essa foto.
É uma cena típica de picadeiro: fila pra pipoca.
E como uma entre outras distrações típicas dos meninos, o menino acha uma brecha; uma distração.
Nem sei o que é que ele olhava.
Nem quis.
Acho que nem ele queria ver alguma coisa, vai que pensava na pipoca e encontrava distraído outras deixas pra saborear.
Podíamos me surpreender olhando por detrás da foto e descobrí-lo com os olhos
fechadinhos, daqueles apertados que não entram nem pensamento, só fantasia.
Tem disso o "ver": tem olhar, tem ver, tem enxergar, tem transparentar, tem mastigar.
Salivar. Disfarçar, parecer, o corpo se ajeitando um pouquinho mais pra lá pra enquadrar,
o coracão palpitando alguns efeitos especiais....Vários efeitos.
Eu tirei a foto e continuei espiando. Agora ela aqui estirada:
Na ponta dos dedos, sem ouvir marulho, fico olhando o que esse menino poderia ver.
Na brecha, "na brecha, onde na gente há deixa pra isso"...

Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007


.....ndo.