Outra coisa que deve ter vindo ao homem assim como o escândalo com os carros...
Uma noção medíocre do TRABALHO.
Tente perguntar pras pessoas ao seu redor:
- Você gosta do seu trabalho?
E prontamente, muitas delas responderão:
- Ralo pra caralho!
- Ah, é muita responsabilidade..
- Ãhn...Mais ou menos.
Reformule a sintaxe da sua investigação, e pergunte mais:
- O que você gosta no seu trabalho?
Prontamente, alguns responderão:
- Os dias em que não trabalho.
- Bom...O cafézinho da Dona Olga é ótimo.
- Minha função lá até que não é mal, mas........
Agora, eu reformulo a sintaxe dos meus pensamentos.
Se de tripallium constituimos função social, e de profissão a ascenção, como é que tem tanta gente por aí num plano médico corporativo torcendo pra ficar doente, ter um acidente de trabalho ou se aposentar por invalidez?
Por quê tanta gente torce pro senador não ir trabalhar hoje, ou pra aquela reunião ser desmarcada e trasferida pra amanhã, todo dia cumprir metas que atrasam os seus dias, lhe dão mais trabalho, ou não lhe dão nenhum porque você pode delegar a outras cem pessoas departamentadas que o farão, ou também não.
Vou atacar um pouco o meu lado, pra não me acusarem de anarquia acomodada.
Se escolho trabalhos não convencionais e não categorizados, sempre me ignoram como classe trabalhadora (velha peleja dos operários, dos pedreiros, ossos do edifício), meu trabalho é um hobby pra quem o escolhe como hobby, então não pode ser trabalho.
Produtores culturais sooooofrem de stress! Sooofrem por tanta correria, e muito menos do que dizem, um dia conseguirão o projeto dos sonhos (apesar de que tooodos amam seus projeto$) pra realizarem seus sonhos, que são muito maiores do que esses sonhos vis.
Atores odeiam seus diretores. Abrem largos sorrisos e admiram muito seu trabalho, mas o diretor é o cara que sabe de tudo mas não sabe fazer esse tudo. Recebem um elogio do diretor e sobem aos céus (e lá nos céus, as estrelinhas fofoqueiras espalham e comparam isso com cada estrelinha que cruzar seu raio de luz).
Vejo a banda jovem de forró com uma cara de desgosto amargo e entalado tocando semanalmente com uma pobre velhinha sanfoneira, velhinha, oh pobre, e incorrigível, "porque é que ela tem que sorrir tanto?" "porque é que ela tem que cantar? Olha o ritmo, olha o ritmo....", toda semana lá, já enjoados das semanas. "Mas semana que vem tem mais, então toca logo..."
Às vezes até confundo essa coisa de profissão com a estampa da frustação do que o profissional queria um dia ser, e preferirá não ser:
Profissão: Jornalista (escrevo muuuito bem, a adrenalina de correr atrás do furo é deliciosa, adoro saber um pouco de tudo, mas não quero me envolver nesse escândalo, o meu editor é um fascista e tudo bem, eu posso negar que ouví isso.)
Profissão: Médico (adoro ajudar as pessoas, salvar vidas, lutar por melhores condições de vida, mas minha sabedoria me custou caro, e me cansei de lidar com gente ignorante.
Profissão: Cineasta (eu tenho muito talento, sou sensível, as imagens me são poesia, mas aquele filme é uma merda, aquela banca foi um conchavo e Spielberg não nasceu no Brasil)
Profissão: Oficial de justiça ( eu sou o executor da lei, eu sou imparcial, eu lido com as piores situações da sociedade, sou eu quem pego na mão a merda e eu quero mais é que esse advogadozinho se foda.)
Quer saber qual é meu trabalho? Eu sou uma pecinha degringolada do Mercado e do Estado. Eu sou a estatística do prejuízo, não rendo, e o meu desenvolvimento social é uma subjetividade utópica.
Uma noção medíocre do TRABALHO.
Tente perguntar pras pessoas ao seu redor:
- Você gosta do seu trabalho?
E prontamente, muitas delas responderão:
- Ralo pra caralho!
- Ah, é muita responsabilidade..
- Ãhn...Mais ou menos.
Reformule a sintaxe da sua investigação, e pergunte mais:
- O que você gosta no seu trabalho?
Prontamente, alguns responderão:
- Os dias em que não trabalho.
- Bom...O cafézinho da Dona Olga é ótimo.
- Minha função lá até que não é mal, mas........
Agora, eu reformulo a sintaxe dos meus pensamentos.
Se de tripallium constituimos função social, e de profissão a ascenção, como é que tem tanta gente por aí num plano médico corporativo torcendo pra ficar doente, ter um acidente de trabalho ou se aposentar por invalidez?
Por quê tanta gente torce pro senador não ir trabalhar hoje, ou pra aquela reunião ser desmarcada e trasferida pra amanhã, todo dia cumprir metas que atrasam os seus dias, lhe dão mais trabalho, ou não lhe dão nenhum porque você pode delegar a outras cem pessoas departamentadas que o farão, ou também não.
Vou atacar um pouco o meu lado, pra não me acusarem de anarquia acomodada.
Se escolho trabalhos não convencionais e não categorizados, sempre me ignoram como classe trabalhadora (velha peleja dos operários, dos pedreiros, ossos do edifício), meu trabalho é um hobby pra quem o escolhe como hobby, então não pode ser trabalho.
Produtores culturais sooooofrem de stress! Sooofrem por tanta correria, e muito menos do que dizem, um dia conseguirão o projeto dos sonhos (apesar de que tooodos amam seus projeto$) pra realizarem seus sonhos, que são muito maiores do que esses sonhos vis.
Atores odeiam seus diretores. Abrem largos sorrisos e admiram muito seu trabalho, mas o diretor é o cara que sabe de tudo mas não sabe fazer esse tudo. Recebem um elogio do diretor e sobem aos céus (e lá nos céus, as estrelinhas fofoqueiras espalham e comparam isso com cada estrelinha que cruzar seu raio de luz).
Vejo a banda jovem de forró com uma cara de desgosto amargo e entalado tocando semanalmente com uma pobre velhinha sanfoneira, velhinha, oh pobre, e incorrigível, "porque é que ela tem que sorrir tanto?" "porque é que ela tem que cantar? Olha o ritmo, olha o ritmo....", toda semana lá, já enjoados das semanas. "Mas semana que vem tem mais, então toca logo..."
Às vezes até confundo essa coisa de profissão com a estampa da frustação do que o profissional queria um dia ser, e preferirá não ser:
Profissão: Jornalista (escrevo muuuito bem, a adrenalina de correr atrás do furo é deliciosa, adoro saber um pouco de tudo, mas não quero me envolver nesse escândalo, o meu editor é um fascista e tudo bem, eu posso negar que ouví isso.)
Profissão: Médico (adoro ajudar as pessoas, salvar vidas, lutar por melhores condições de vida, mas minha sabedoria me custou caro, e me cansei de lidar com gente ignorante.
Profissão: Cineasta (eu tenho muito talento, sou sensível, as imagens me são poesia, mas aquele filme é uma merda, aquela banca foi um conchavo e Spielberg não nasceu no Brasil)
Profissão: Oficial de justiça ( eu sou o executor da lei, eu sou imparcial, eu lido com as piores situações da sociedade, sou eu quem pego na mão a merda e eu quero mais é que esse advogadozinho se foda.)
Quer saber qual é meu trabalho? Eu sou uma pecinha degringolada do Mercado e do Estado. Eu sou a estatística do prejuízo, não rendo, e o meu desenvolvimento social é uma subjetividade utópica.
Meu hobby? Fazer dançar e rir a Sociedade.

2 Comentários:
Acho que é o primeiro post q leio no seu blog, e gostei muito.
Há tempos não lia algo que definisse tão bem essa minha onda do "e agora o que é que eu faço da vida?" rs.
Adorei.
Volto em breve.
Tell me why i don't like mondays oh oh oh!
belo texto.
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