Sexta-feira, 28 de Março de 2008


Cavaleiro guerreiro,
armado em capa e espada,
lua nos pés e afilhados na terra,
santinho guerreiro que inspira a luta bem amada,
mas saberei eu,
miúda devota, do coração do dragão?

http://www.youtube.com/watch?v=M5ukRkaUbMo&NR=1

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

São Paulo, 14 de fevereiro de 2008

Uma beleza.
Estancada ali, numa banqueta de bar.
O balcão: lotado. Todo parcialmente ocupado de produtos miúdos, colorados, empilhados, protegidos das mãos. Alheias. Chicletes, salames, cigarros e um pouquíssimo espaço para demorares no balcão.
A empreendedora: Roberta, que pela serventia da Casa tinha ali tudo o que a vida lhe cobrava. Os cabelos louros esticavam-lhe a feminilidade que não sobrevivia fácil aos preços da carne.
Por isso Roberta tinha-os bem presos às costas, e não cederia um delírio sequer a seu corpo de homem, enquanto fosse Roberta cuidando do Bar.
- E eu enfiei a grana lá, no buraco...Escolhí a melhor música e os botões se acenderam todos. Acho que a música não vai tocar, e eu só queria gozar as 5 músicas pagas.
- Ou ela apertou tanto os botões, que daqui a pouco a música vai tocar 5 vezes seguidas, sem parar.
- Ou você escolheu errado. Tem músicas tocando, a máquina não tem problema nenhum e você perdeu a sua ficha.
Roberta sabia mesmo sustentar seus negócios. O cabelo não se movia, os peitos implantados duros feito osso. Tinha sua freguesia cativa entre jovens, músicos e todos os tipos de simpatizantes.
Reconhecíamos todos no bar a minha cara de forasteira, talvez por isso a falta de saco dela, mas servía-nos a cerveja gelada sem cobrar.
E entre umas e outras, todos pagávamos.
Pagávamos por um pouquinho mais, por um música que a máquina escolhia, pela possibilidade cosmopolita de desconhecermo-nos em outras caras, por um pó de qualidade amarelada, por uma sexta-feira à noite numa megacidade-eixo onde nenhum outro estabelecimento supria o serviço mais venerado pelos solitários, excitados ou sedentos boêmios: a franqueza.
E aquela beleza ali, distraindo entrementes seu olhar.
Mozzer...O seu primeiro nome me esquecí.
Mozzer, com sua beleza dúbia de lábios pontudos que quando falava, rapidamente recolhiam com a língua as palavras arrependidas de consumos insôssos.
Sua boca impaciente despistava os seus e os meus olhos.

Era agenciador de modelos.
Sua beleza borrada de paixões furtivas, asseguradas em uma agência.
Uma beleza para agenciar a beleza e os desejos dos outros.


(Continua)

Terça-feira, 18 de Março de 2008

Diálogo de peito aberto
Tesão ou frio, dois corpos perto, beiram o arrepio.
foto: tatiana reis
Ela só de calcinha, que deixava livre pra agir os joelhos.
Ela com uma câmera na mão.
Ela sendo olhada. Ela tomando o vinho que ajudava a colorir os rubores.
Ela com elas, elas com câmeras, elas e poses.
Ela de casaco listrado pra delinear uma linha reta na imagem de seus sorrisos tortos. Que a ajudava a expressar seus exageros.
Ela nua, ..............., por debaixo da calcinha e da linha reta do casaco.
Foi pra rua, nunca achando bonitos seus chinelos, mas enlouquecida por caminhar de madrugada na rua. Nua.
Ela tem ........... pequenos, ............ grossas e intenções largas.

foto: tatiana reis