
Sim, claro, ainda assim se rendia fácil aos pecadinhos.
Despia as Ilusões que só enfeitavam os pensamentos, mas que há tempos não a surpreendia com um bom e velho ul traje surrado de se viver de verdade.
Era quase um casamento empoeirado,
tudo em seu lugarzinho cativo, a cumplicidade emoldurada na parede, o tesão na sala, à espreita da pausa, o ciúme engomado engavetado, a sedução grudada na janela.
Tornava-se um tanto mais esporádico, mas ela não deixava de concubinadamente acariciar as Ilusões, abrindo as pernas umedecidas pelos dedos que fantasiava, falando de amor ou qualquer coisa parecida.
Quase sempre acabavam falando sobre o amor.
Às vezes conversavam sobre as coisas, fátuos do dia,
às vezes calavam as especulações e ficavam paradas vendo a sombra da persiana esconder o dia, pra numa soprada de vento, levantar e denunciar a existência dele lá fora.
Às vezes iam pra cozinha, comer algo que matasse a sede, que salivasse a fome, algum tempero que saboreasse a língua.
Quase sempre pensavam em revolução, as Ilusões adoravam as filosofias, e se fossem editadas em quadrinhos, mais ainda se riria.
