Segunda-feira, 26 de Maio de 2008


Sim, claro, ainda assim se rendia fácil aos pecadinhos.
Despia as Ilusões que só enfeitavam os pensamentos, mas que há tempos não a surpreendia com um bom e velho ul traje surrado de se viver de verdade.
Era quase um casamento empoeirado,
tudo em seu lugarzinho cativo, a cumplicidade emoldurada na parede, o tesão na sala, à espreita da pausa, o ciúme engomado engavetado, a sedução grudada na janela.
Tornava-se um tanto mais esporádico, mas ela não deixava de concubinadamente acariciar as Ilusões, abrindo as pernas umedecidas pelos dedos que fantasiava, falando de amor ou qualquer coisa parecida.
Quase sempre acabavam falando sobre o amor.
Às vezes conversavam sobre as coisas, fátuos do dia,
às vezes calavam as especulações e ficavam paradas vendo a sombra da persiana esconder o dia, pra numa soprada de vento, levantar e denunciar a existência dele lá fora.
Às vezes iam pra cozinha, comer algo que matasse a sede, que salivasse a fome, algum tempero que saboreasse a língua.
Quase sempre pensavam em revolução, as Ilusões adoravam as filosofias, e se fossem editadas em quadrinhos, mais ainda se riria.

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Ahhhhhhhhhhhhhhh.

Algumas taças de vinho.
Dias sendo contados.
E a hora passando...

Tudo que se conta, não se mede.

Que coisa.
Tenho uma sensação de que crio ficções deliciosas com o cúmulo do romantismo. Da fantasia.
Maravilha, até começar à esperar as horas.
Quando começo a colocar na linha do tempo, tudo desanda, começa a brincar de atemporalidades, perde a noção do ridículo.
Ah, Drummond, que coisa.
Tenho a sensação de que engoliria a vida se ela me desse bola.
Mas ela tá de altas. Charmosa. Recatada e devassa.
Se rindo dos tesões remedidos, remendando.
Que coisa, eu já não sei mais o limiar entre o fantasiar e o desejar.
E assim, sem contar, desejo hora a hora o gosto das ilusões.

Tudo bem alto,
Tudo baixinho,
Tudo calado
Tudo bem alto,
Tudo baixinho
Tudo..

Esta noite não quero saber de conselho
esqueça, deixe pra lá
me arranja um pecado
quente pra me consolar
pense bem que depois
tem o ano inteiro pra gente pagar

Cinqüenta gramas de amor
veja lá, é um bocadinho
vinte gramas até,
venha cá, é tão pouquinho.
Eu vou morrer se você
não quiser
me arranjar um pecadinho.
Obrigado Tom Zé.

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Sexo casual

É muito lindo

o olhar da voz entrando
nos dedos do violão.