
16 de julho de 2008........esse marcador tá doido.
...Por que eu ainda vou tatuar as lambidas escritas da Hilda Hilst rendadas em minhas coxas, isso ainda hei. Como ode pornográfica aos amores dela. E aos meus.
"Se os meus personagens parecem demasiadamente poéticos é porque acredito que só em situações extremas é que a poesia pode eclodir VIVA, EM VERDADE. Só em situações extremas é que interrogamos esse GRANDE OBSCURO que é Deus, com voracidade, desespero e poesia."
Ela compôs com Adoniran Barbosa, ela arranca suspiros de Drummond. Escreve crônicas, a autista, prosa e poesia, peças, despedaçada cotovia... AaAAAhhhh. Amo.
Segue um pedaço do poema de Drummond à lasciva:
"Então Hilda, que é sab(ilda)
Manda sua arma secreta:
um beijo em morse ao poeta.
Mas não me tapeias, Hilda.
Esclareçamos o assunto.
Nada de beijo postal
No Distrito Federal o beijo é na boca e junto. "
E um poema dela à minha lasciva:

DE ARIANA PARA DIONÍSIO.
Hilda Hilst
I
É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora
E sozinha supor
Que se estivesses dentro
Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora
Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.
II
Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu
Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.
Hilda Hilst
I
É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora
E sozinha supor
Que se estivesses dentro
Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora
Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.
II
Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu
Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.
E ainda aproveitando a deixa.......
SAIAMinha saia rôta
A boca ainda mais.
E Meu sentimento tôrto.
Desperto os joelhos,
As meias riscadas
As meias verdades rasgadas
O salto quebrado no pé.
Um batom borrado que nunca existiu
Um perfume enjoado evaporando sutil
E as unhas marcadas no peito vazio.
As lãs de meus dedos desfiando argumentos sem trama
A cama das coxas retirando os lençóis
Os olhos fechados desabotoando nós.
Visto a saia e daqui eu saio,
Com a desnudada sensação de me bordar aos poucos.
Franzir, cerzir e me pintar
(e a breve solução de remendar),
vestem de gala meus loucos.
Saio, a saia sem enganchar,
com a inteira certidão
de não mais
com ti nuar.
