sábado, 13 de junho de 2009

Retrato de um poeta

Relevou a rosa vermelha na garrafa ao lado da porta, como armadilha tátil à chegada em casa.
Arrumou a cama amarela da anfitriã, recolhando as roupas espalhadas entre as passadas e a ausência.
Mera tática, a rosa relevada pela altura da caixa de som, que denotava sua música ou seu silêncio dedicado.
Era um encontro marcado, e como esses, sempre atrasados à ansiedade das esperas. Ou adiantado à ansiedade dos destinos.
Empilhou os livros devidamente mapeados no chão da sala, entre as plantas, a mesinha e o colchão espraiado no foco da sozinhez da espera como companhia.
O mapa desenhava o movimento do hóspede vagueando a casa, cada pensamento e intenção da estadia tocados aos objetos. A bituca de cigarro fora do lugar comum, o jornal rabiscado contornando as expressões das fotos, o guia da cidade e o mapa do transporte.
Se cada legenda deixada em bilhetes por seus passos estrategiavam as demandas à realizar, cada subtítulo pairou como desmanche na prática do despedir-se.
Era um encontro marcado, causado pela despedida.
Como falar de amor sem sentir, nessas falas impensadas das histórias de amor sem ter.
A tática. A estratégia. Os meros poemas. Os meros encontrões. Os meros despedir-se e seguir das vidas, deixando como memória do retrato de um poeta o incenso verde espetado em uma mexerica entreaberta e não acabada.

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