Variação de sujeito (ou a invariável margem da vontade)
Ela a paixão de noites.
Ele a paixão de dias.
Nela a vontade constante.Ele a paixão de dias.
Na mesma noite, dia. Na mesma manhã.
É certo que, a dele, cotidianizara-se com a conquista de encantamentos diários.
Perto, longe. Perto. Sempre juntos. Sempre perto. Fraseada de acordos entre o envolver-se, e o construir, tornara-se uma paixão constantemente dedicada, dedilhada.
E é certo que a dela, deslocava-se dos dias, suspendendo as diárias em momentos intocáveis pelo rumor das horas, de argumentos de continuidade.
Era uma curiosidade descontínua, que suspendia as horas para continuar o encantamento. Não havia linha, começo, fim. Mas ali, suspensa, havia um meio. Sem fins.
E era ela outra também,
acertadamente descendo ao encantamento, adentrando ao aconchego das conversas, subindo a cerveja embebedada no botecar do peito.
Era um encontro que não se dava todo dia.
Brindar a sede de conversa foi até ainda há pouco tempo, não esperado.
Era uma curiosidade descontínua, que suspendia as horas para continuar o encantamento. Não havia linha, começo, fim. Mas ali, suspensa, havia um meio. Sem fins.
E era ela outra também,
acertadamente descendo ao encantamento, adentrando ao aconchego das conversas, subindo a cerveja embebedada no botecar do peito.
Era um encontro que não se dava todo dia.
Brindar a sede de conversa foi até ainda há pouco tempo, não esperado.
Subiu à cabeça. Subiu o argumento de descansar da marcação das horas.
Subiu-lhe o ímpeto de, ao menos entre amigxs, ao menos um dia na semana lotada de horas marcadas, subir-lhe o brinde do despropositado, do desmarcado, e, como não, do descabido?
A vontade o é rodeada de mesuras descabidas.
Troca as pernas pelas mãos, o longe pelo especulado, o perto pela vontade.
E segue à vontade. E nunca sem vontade.
Mas depois,
como dizer à ela e à ele que não tinha nada, de minha parte, entre nós e eles?
Troca as pernas pelas mãos, o longe pelo especulado, o perto pela vontade.
E segue à vontade. E nunca sem vontade.
Mas depois,
como dizer à ela e à ele que não tinha nada, de minha parte, entre nós e eles?
Eram ele, ou ela, e eu.
E nós, éramos 3 iguais na aplicação do sujeito da frase.
Cada um e seu significado.
Um nó no peito por não ter como dizer que não eram eles. E eu.
Era falar de tudo o que se sente quando arrisca-se o senso ao toque de outro tempo.
De se querer conhecimento. De tato, e em tempos diferentes, em tantos paralelos.
Reconhecer deles,
apenas o que é transparente em sua história: filhos, memórias, identidades. E reconhecer a história a partir apenas de duas identidades: ele e ela.
Não eu ou ele. Ou eu e ela.
O 'nós' se faz para os 3, só agora.
E outra coisa são eles.
E ela sabe que outra coisa serão elas...
Não há como reconhecer mentiras onde a pergunta ainda era o que era de verdade.
E não como cobrança, ou falsidade.
Verdade como o espontâneo, o entregar-se e o improviso sabem bem ser.
Mas muitas vezes as palavras não.
Parou os olhos nos minutos, desenhando miudezas até que encontrasse uma cor, uma imagem que explicasse como é quando uma coisa se apaixona por outra coisa, a ponto de outra coisa não caber no mesmo espaço de paixão.
Um nó nas vias do entendimento ou um laço nos fios da intimidade. Estrangulando o nexo das palavras. Estrangulando a continuidade dos dias. Suspendendo o sujeito.
Falar à ela, exigia um toque de pausa, que contava aos sorrisos o que elas só conheceram em seu des-e-enrolar, e entre o -e-,
tudo o que só o feminino conhece: ambas em suas bocas de sorrir opinião. Identificação.
Já falar à ele, exigia um toque de dedos, que marcavam as horas há tempos, tateavam os dias, dedos de contar uma espera, de contar uma presença, de contar uma história.
E era falar aos dois, como se eles fossem neste caso, necessariamente juntos?
Era falar à eles, ao mesmo tempo, no improvisar de dois verbos diferentes expressados em uma mesma frase?
Rodeada de mesuras descabidas, a vontade pode ser definida com um ou mais contornos, uma ou menos medidas, assim como dentro de uma mesma desmesura que por ventura caiba.
Ter uma noção, ajuda à indefinir a dimensão. A desmesura começa aonde o limite pensa que passa.
Mas a vontade não é dimensão pras coisas. Ela é apenas proposta e improvisada, jeito sem palavras de ver como é que encaixa.
Não disse mais nada.
Subiram aos céus, desceram ao inferno, voltaram à Terra e sem pensar em nada, disseram: "- eu quis."
E ficou à vontade.
E nós, éramos 3 iguais na aplicação do sujeito da frase.
Cada um e seu significado.
Um nó no peito por não ter como dizer que não eram eles. E eu.
Era falar de tudo o que se sente quando arrisca-se o senso ao toque de outro tempo.
De se querer conhecimento. De tato, e em tempos diferentes, em tantos paralelos.
Reconhecer deles,
apenas o que é transparente em sua história: filhos, memórias, identidades. E reconhecer a história a partir apenas de duas identidades: ele e ela.
Não eu ou ele. Ou eu e ela.
O 'nós' se faz para os 3, só agora.
E outra coisa são eles.
E ela sabe que outra coisa serão elas...
Não há como reconhecer mentiras onde a pergunta ainda era o que era de verdade.
E não como cobrança, ou falsidade.
Verdade como o espontâneo, o entregar-se e o improviso sabem bem ser.
Mas muitas vezes as palavras não.
Parou os olhos nos minutos, desenhando miudezas até que encontrasse uma cor, uma imagem que explicasse como é quando uma coisa se apaixona por outra coisa, a ponto de outra coisa não caber no mesmo espaço de paixão.
Um nó nas vias do entendimento ou um laço nos fios da intimidade. Estrangulando o nexo das palavras. Estrangulando a continuidade dos dias. Suspendendo o sujeito.
Falar à ela, exigia um toque de pausa, que contava aos sorrisos o que elas só conheceram em seu des-e-enrolar, e entre o -e-,
tudo o que só o feminino conhece: ambas em suas bocas de sorrir opinião. Identificação.
Já falar à ele, exigia um toque de dedos, que marcavam as horas há tempos, tateavam os dias, dedos de contar uma espera, de contar uma presença, de contar uma história.
E era falar aos dois, como se eles fossem neste caso, necessariamente juntos?
Era falar à eles, ao mesmo tempo, no improvisar de dois verbos diferentes expressados em uma mesma frase?
Ter uma noção, ajuda à indefinir a dimensão. A desmesura começa aonde o limite pensa que passa.
Mas a vontade não é dimensão pras coisas. Ela é apenas proposta e improvisada, jeito sem palavras de ver como é que encaixa.
Não disse mais nada.
Subiram aos céus, desceram ao inferno, voltaram à Terra e sem pensar em nada, disseram: "- eu quis."
E ficou à vontade.
