Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Variação de sujeito (ou a invariável margem da vontade)


Ela a paixão de noites.
E
le a paixão de
dias.
Nela a vontade constante.
Na mesma noite, dia. Na mesma manhã.

É certo que, a dele, cotidianizara-se com a conquista de encantamentos di
ários.
Perto, longe. Perto. Sempre juntos. Sempre perto. Fraseada de acordos entre o envolver-se, e o construir, tornara-se uma paixão constantemente dedicada, dedilhada.

E é certo que a dela, deslocava-se dos dias, suspendendo as diárias em momentos intocáveis pelo rumor das horas, de argumentos de continuidade.
Era uma curiosidade descontínua, que suspendia as horas para continuar o encantamento. N
ão havia linha, começo, fim. Mas ali, suspensa, havia um meio. Sem fins.

E era ela outra també
m,
acertadamente descendo ao encantamento, adentrando ao aconchego das conversas, subindo a cerveja embebedada no botecar do peito.
Era um encontro que não se dava todo dia.
Brin
dar a sede de conversa foi até ainda há pouco tempo, não esperado.

Subiu
à cabeça. Subiu o argumento de descansar da marcação das horas.
Subiu-lhe o ímpeto de, ao menos entre amigxs, ao menos um dia na semana lotada de horas marcadas, subir-lhe o brinde do despropositado, do desmarcado, e, como não, do
descabido?

A vontade o é rodeada de mesuras descabidas.
Troca as pernas pelas mãos, o longe pelo especulado, o perto pela vontad
e.
E segue à vontade. E nunca sem vonta
de.

Mas depo
is,
como dizer à ela e à ele que não tinha nada, de minha parte, entre
nós e eles?
Eram ele, ou ela, e eu.
E nós, éramos 3 iguais na aplicação do sujeito da frase.
Cada um e seu significad
o.

Um nó no peito por não ter como dizer que não eram
eles. E eu.
Era falar de tudo o que se sente quando arrisca-se o senso ao toque de outro tempo.
De se querer conhecimento. De tato, e em tempos diferentes, em tantos paralelos.

Reconhecer deles,
apenas o que é transparente em sua história: filhos, memórias, identidades. E reconhecer a história a partir apenas de duas identidades: ele e ela.
Não eu ou ele
. Ou eu e ela.
O 'nós' se faz para os 3, só agora.
E
outra coisa são eles.

E
ela sabe que outra coisa serão elas...

Não há como reconhecer mentiras onde a pergunta ainda era o que era de verdade.
E não como cobrança, ou falsidade.
Verdade como o espontâneo, o entregar-se e o improviso sabem bem ser.

M
as muitas vezes as palavras não.

Parou os olhos nos minutos, desenhando miudezas até que encontrasse uma cor, uma imagem que explicasse como é quando uma coisa se apaixona por outra coisa, a ponto de outra coisa não caber no mesmo espaço de paixão.

Um nó nas vias do entendimento ou um laço nos fios da intimidade. Estrangulando o nexo das palavras. Estrangulando a continuidade dos dias. Suspendendo o sujeito.

Falar
à ela, exigia um toque de pausa, que contava aos sorrisos o que elas só conheceram em seu des-e-enrolar, e entre o -e-,
tudo o que só o feminino conhece: ambas em suas bocas de
sorrir opinião. Identificação.

J
á falar à ele, exigia um toque de dedos, que marcavam as horas há tempos, tateavam os dias, dedos de contar uma espera, de contar uma presença, de contar uma história.

E era falar aos dois, como se eles fossem neste caso, necessariamente juntos?
Era falar à eles, ao mesmo tempo, no improvisar de dois verbos diferentes expressados em uma mesma frase?

Rodeada de mesuras descabidas, a vontade pode ser definida com um ou mais contornos, uma ou menos medidas, assim como dentro de uma mesma desmesura que por ventura caiba.

Ter uma noção, ajuda à indefinir a dimensão. A desmesura começa aonde o limite pensa que passa.
Mas a vontade não é dimensão pras coisas. Ela é apenas proposta e improvisada, jeito sem palavras de ver como é que encaixa.

Não disse mais nada.
Subiram aos céus, desceram ao inferno, voltaram à Terra e sem pensar em
nada, disseram: "- eu quis."
E ficou à
vontade.