Produção Multimídia, Narrativas Livres e Ativismo Open-source, por Daniel Pádua

Marjane Satrapi quadrinizou e animou sua auto-biografia, Persepolis, indicada ao Oscar de melhor animação em 2007.
Hoje é dia de espalhar aos quatro ventos que NÃO queremos o vigilantismo na Rede.
Vamos reunir informações, contra-argumentos e depoimentos contra o PL de cibercrimes de hoje até 14/05, quinta-feira que vem, às 19h, quando haverá um grande ato público em frente à Assembléia Legislativa em São Paulo, com participação de todas as frentes que estão contra o AI-5 Digital, incluindo a frente de parlamentares que podem de fato interferir no trâmite do projeto de lei no Congresso Nacional.
É hora de cooperar pra quebrar a base do Azeredo Watchmen, galera! \o>


~ Cartaz do protesto, por Conversa Afiada
MOBILIZAÇÕES CIDADÃS NA ERA DO MICROBLOGGING
Depois que fizemos a mobilização contra a #ditabranda da Folha, a Internet brasileira mostrou que é capaz de fazer barulho sem depender da mídia tradicional. E à medida em que nos encantamos por descobrir que temos alguma força, mais manifestações são tecidas em rede.
Desta vez, o alvo foi o infame presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, figura que falhou em sua meta como jurista ao favorecer criminosos conhecidos do país e demonstrar constante parcialidade e articulação política. O estopim da mobilização foi o bate-boca com o ministro Joaquim Barbosa, que acabou celebrado na Internet como ato de heroísmo, dando origem a diversas comunidades em redes sociais e ao #joaquimbarbosaday, manifesto no Twitter, em que diversas pessoas utilizaram o rosto de Joaquim Barbosa como imagem de perfil.

DA REDE AO ATO
Sendo assim, xs autorxs do blog Saia Gilmar Dantas, que já tinha feito um ato anterior pedindo a renúncia de Gilmar Mendes, conseguiram o apoio da Rede para conectar blogueirxs, tuiteirxs, curiosxs, cidadãos insatisfeitxs e também militantes partidárixs (especialmente do PSOL e PDT) e do MST, para convocar uma demonstração ainda maior.
Eu estive lá, gritando, fotografando e filmando, com @emerluis, @proveisso, @deavg, @carineroos, @fernandoike, @gutocarvalho, @cesaraovivo, entre tantxs outrxs, e posso dizer que se soubermos agir em rede, podemos qualquer coisa.
Parabéns e obrigado a todxs pela incrível experiência.
REGISTRO DO ATO NACIONAL E SUA REPERCUSSÃO
2. Nos Blogs:
- relato do protesto em São Paulo, por Hugo Albuquerque
- mais um relato do protesto em São Paulo, por Roberto Nogueira
- “Faça a sua escolha”, por Eduardo Guimarães, do Movimentos dos Sem Mídia
- “Saia às ruas, Gilmar. É hora de iluminar o Judiciário”, por Paulo Henrique Amorim
- “Por controle de qualidade”, de Luís Nassif (excelente post – ele estava dentro do STF, no momento do protesto)
- “Esta noite, algo se quebrou em Brasília”, por Leandro Fortes no blog de Luiz Carlos Azenha
- “Fora Gilmar: a praça é da populacão e a justiça é para todos”, por Emerson Luis
- “Fora Gilmar!”, por Maria Frô
- “Fora Gilmar, os corruptos, os eleitores, a imprensa e a incrível manifestação que desapareceu”, de Arthurus Maximus
- “Ato Fora Gilmar Mendes e as novas mídias”, de Amanda Vieira
- “200 ou 300 manifestantes ou o milagre do emagrecimento das manifestacões”, por Miguel do Rosário
- “O Fora Gilmar”, por Idelber Avelar
- posts no wordpress.com
- posts em blogs rastreados pelo BlogBlogs
- posts em blogs rastreados pelo Google blog search
- busca por “Fora Gilmar” no Google
3. Na Imprensa: (ao invés de linkar matéria por matéria, achei melhor linkar o agregador do Google News, que é dinâmico e vai incluir novas matérias)
- matérias de jornais, revistas e portais indexados pelo Google News, incluindo declaracões de Gilmar Medes sobre o protesto
4. No Twitter: #foragilmar, #saiagilmar, #foragilmarday
- tuit do André Lima avisando que em Belo Horizonte não funcionou o ato
5. Vídeos:
- Playlist com todos os vídeos encontrados no Youtube
incluindo o excelente vídeo da cineasta Deavg e os que fiz com a Carine Roos
- vídeos transmitidos ao vivo pelo Johnny C durante o protesto em Brasília
- vídeo do protesto em Brasília, por Rogério Tomaz Jr. do Conexão Brasília Maranhão
6. Fotos
- Álbum no Flickr do ato #foragilmar em Brasília, por Daniel Pádua:
- Álbum no Flickr do ato #foragilmar em São Paulo, por Luna Rosa:
- Galera de fotos da Agência Brasil
* QUEM SOUBER DE MAIS, POR FAVOR, MANDE NOS COMENTÁRIOS! VALEU!
Montalvo Machado, em seu ótimo blog Sketcheria, postou um conclame contra o projeto de lei que renova a já viciada Lei Rouanet, baseado no artigo 49 da proposta, que diz o seguinte:
Art. 49. O Ministério da Cultura e demais órgãos da Administração Pública Federal poderão dispor dos bens e serviços culturais financiados com recursos públicos para fins não-comerciais e não-onerosos, após o período de três anos de reserva de direitos de utilização sobre a obra. Parágrafo único. A disposição dos bens tratados neste artigo para fins educacionais, igualmente não-onerosos, poderá se dar após o período de um ano e seis meses de reserva de direitos de utilização sobre a obra.
Eu não sou advogado nem preciso ser para entender que o texto acima não anula os direitos de autor garantidos pela lei 9.610 – essa sim que regula a questão autoral no Brasil. O que acontecerá é uma cessão não-comercial (sem fins lucrativos) e não-onerosa (se atrapalhar os ganhos do autor não há cessão). O próprio Ministério da Cultura explicou isso em uma nota pública.
Além de ter trabalhado no Ministério da Cultura de 2004 a 2007, sou produtor cultural e batuqueiro de cultura popular aqui em Brasília. Nos comentários abaixo (colei aqui, pois não sei se serão aprovados) eu cito o caso da cantora Wanessa da Mata, que ganhou 1 milhão de reais do MinC para gravar seu DVD ao vivo pela Warner Music. O povo financia e depois tem de pagar de novo. Enquanto a artista fica com uma parcela ínfima dos direitos e o restante fica na gravadora gringa. Na mesma época, sofremos para obter 200 mil para o Festival Brasília de Cultura Popular, uma festa de 4 dias, aberta e gratuita, com apresentações de grupos de cultura popular de todo o Brasil, mais oficinas e mostras. Fora a questão dos livros infantis comerciais, que frequentemente sob controle de editoras, quase nunca chegam nas escolas.
Se financiadas com dinheiro público, o circulação das obras para fins públicos não deveria ser facilitada?
UPDATE // Leia o texto do projeto de lei e tire suas próprias conclusões.

Deixei um comentário no blog do Edir Macedo pedindo detalhamento do custo exorbitante que ele citou para pedir dinheiro aos fiéis. Será que ele detalha?
Acompanhe no blog do Sérgio Amadeu.

Azeredo: Who Watches The Watchmen?
- SELO PRA BLOG: http://is.gd/nAzY
- BAIXE O AVATAR: grande: http://is.gd/nAFq médio: http://is.gd/nAFB twitter: http://is.gd/nAFM

(Foto: Projeto de moradia permacultural “Eco-Dome“)
Em 2003, emergiu no antigo Projeto Metáfora um conceito há muito boicotado, mas bastante natural para quem estava respirando tecnologia e conhecimento livre na era Pré-”Mídia Social” da Rede: Terras Livres (uma espécie de Land Commons). Apesar da proposta simples – que tal liberar algumas terras sob GPL, e cultivar uma rede de compartilhamento de cultura, trabalho, alimentos, água e energia? – sua implementação mostrou-se e continua mostrando ser um desafio de alta complexidade.
(1) Questões jurídicas imobiliárias (sim, “terra” livre, de fato, poderia ser qualquer tipo de “imóvel”), que exigiriam uma “GPL dos imóveis”, (2) a organização e abrangência (em termos de produções estabelecidas nas terras livres) do processo colaborativo viabilizado por este novo contrato de ocupação (produção ao invés de mero consumo), (3) como e com quem iniciar o movimento – e o que seria exigido dos participantes (estar numa rede digital aberta meritocrática?) – e (4) como levar a ação para além de apenas mais um movimento isolacionista-elitista incapaz de relativizar sua dependência da economia monetarista global vigente. Estes são os eixos de complexidade que as terras livres oferecem.
Entretanto, apesar das dificuldades, nos últimos anos pipocaram ações relacionadas, sejam de hortas comunitárias, jardins urbanos coletivos, revitalização colaborativa de praças, compartilhamento de terras, moradia/hospedagem/traslados solidários, ocupações cooperativas, entre muitas outras, que florescem especialmente na interface entre tecnologia livre e economia solidária sustentável (passeie pelos links que o Felipe Fonseca andou juntando).
Enquanto buscamos cultivar e desenvolver a ação na nação metarecicleira, deixo aqui alguns exemplos interessantes que tocam, de alguma maneira, a idéia da terra livre: LandShare, LandLift, Desislaciones, OpenSource Ecology, Akvo , Ciudades de Código Abierto. Quem tiver mais insights ou indicações, por favor, fique à vontade para enviar nos comentários.
Fui

Que o trampo de cartum do Angeli é foda, muita gente sabe. Mas nesse país tão ferrado de apoios culturais, ver animações igualmente divertidas e bem-feitas baseadas nessas obras é realmente raro.
A quem assistiu “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock n’ Roll” (e pôde ver um excelente trabalho de animação brasileiro) recomendo muitão o curta-metragem Dossiê Rê Bordosa (assista na íntegra no Porta-Curtas), do diretor Cesar Cabral – uma investigação sobre o porque do Angeli ter matado a Rê. =) Ma oeeeee

(Foto: Vermelho.org)
Apesar da reação sarcástica e reafirmadora da seu ponto de vista conivente com a ditadura, a Folha de São Paulo aprendeu uma lição que outros veículos da mídia brasileira insistem em ignorar e combater: há força de mobilização da Rede. E não interessa quantos Eduardos Azeredos e outros arautos da elite tentem nos enfraquecer, estaremos cada vez mais conectados, interferindo na balança do poder. Isso sim é democracia. Parabéns a todxs xs envolvidxs.
Não sabe do que estou falando? Leia no Global Voices Online a cobertura da mobilização do Movimento dos Sem Mídia contra o editorial da Folha.
(Estou inaugurando uma série de posts que já devia ter feito há milênios, mas por N razões, não escrevi.)
O primeiro é sobre a desconferência de jornalismo e tecnologia Newscamp, que rolou em 29 de novembro de 2008. Eu participei no lugar do Emerson Luis, representando nossa equipe da Coordenação de Multimídia e Interatividade da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), onde trabalho fazendo interfaces e interações multimídia para jornalismo público.
Abaixo, você pode ver e ouvir a minha apresentação via skype, devidamente capturada pelo Paulo Fehlauer, Rodrigo Savazoni e cia. Para saber tudo o que rolou, leia o excelente post do Paulo sobre o evento.
PARTE I ~
PARTE II ~
“Como Arquitetura de Informação entrou na sua vida e como foi o início nesse trabalho?
(…) Trabalhei como web designer por um bom tempo, até trabalhar com a pessoa que viria a me introduzir em todos esses conceitos sobre Experiência do Usuário, meu guru Daniel Pádua, um cara ao mesmo tempo insano e brilhante. Daí pra frente meu interesse só aumentou e passei a estudar sozinho sobre conceitos e técnicas de usabilidade. (…)”
Entrevista com Eduardo Loureiro, arquiteto de informação (e fotógrafo, entre outras coisas menos honradas hehehe) que foi meu estagiário no UNIBH e hoje chuta muitas bundas no mundo dos teleiros. Valeu essa menção caô de guru e tal, Minhoca, mas o lance é que tenho muito orgulho de ver você expandindo os horizontes nos domínios míticos da Grande Tela. \o>

Depois de uma semana atribulada aqui na EBC, com a publicação da nossa cobertura especial sobre o FSM 2009, finalmente pude sentar e organizar o material que gerei durante a Campus Party 2009, que ocorreu no enorme Expo Imigrantes, em São Paulo.
Foram 7 dias numa maratona de atividades, e se não fosse a minha escolha por ficar no hotel dos palestrantes (aliás, o tratamento que nos deram foi de primeira), talvez eu não tivesse dado conta. Participei da edição de 2008 (na Bienal), de onde saí satisfeito e querendo mais. Esse ano, fui convidado pelo Leo Germani para palestrar no Campus Design sobre minha experiência como designer de interfaces e produtor de cultura livre – palestra que acabou superando as minhas expectativas e ocorreu bem no meu aniversário.
Além disso, fui participar do encontro da rede metareciclagem, que há anos planejava um encontro nacional de qualidade. Neste caso, a Campus Party foi fundamental para viabilizar. Pontos altos da minha participação por lá:
- tudo do encontrão de metareciclagem, com destaques para a oficina permanente Bits e Volts na Unha, do glerm e simone, e a tão esperada oficina de mitoreciclagem do meu irmão Daniel Duende
- oficina de wearable computing, da Mika e Hannah, pesquisadoras da Kobakant (Áustria), responsáveis pelo estande Massage Me, na exposição Telefônica Futuro
- palestra sobre Teleiros gerou um debate sobre carreira, frustração criativa no mercado e insegurança dos clientes
- movimentação do Partido Pirata e o debate sobre os caminhos do ciberativismo brazuca
- meu aniversário no encontrão de metareciclagem
Mas a sensação final desse ano foi de sobrecarga. Muita confusão informacional, visual, sonora e interativa, no evento que melhor representa a cultura de rede no Brasil hoje. Existem vários pontos em que a mudança do espaço atrapalhou os organizadores. Na minha opinião, não comprometeu o evento, mas devem resolvidos pra que essa festa continue sendo uma oportunidade única ano após ano para fortalecer as articulações das várias frentes que fazem a Internet brasileira. Espero estar lá em 2010.
Abaixo, além do zilhão de fotos que tirei com a câmera da Yaya, organizei meu relato – antes, durante e depois do evento.
Que seja de utilidade para vocês. \o/
a) Expectativas iniciais
b) Minha palestra sobre design de interfaces aliado à cultura livre
c) Galerias fotográficas:
- encontro em geral, feira e exposições, o hotel onde fiquei
- encontrão intergalático de metareciclagem (papo sobre impermanência, oficina de mitoreciclagem, oficina de wearable computing)
- encontro wordpress-br
- debate sobre PL do azeredo, debate sobre ciberativismo
- debate sobre pornografia na Internet
d) Identificando algumas tretas
Infra-estrutura
- Falta de sinalização adequada: em 2008 sabíamos mais ou menos onde estavam as áreas. Nesse ano, a ausência de placas/totens deixou o espaço muito mais confuso.
- Custo/benefício da alimentação: +/- 7 reais por refeição. Em alguns dias, a comida não estava boa e preferíamos lanchar na praça de alimentação (extremamente cara, por sinal).
- Problemas no camping: chuveiro frio, guarda-volumes muito distante da entrada, falta de algum tipo de monitoria e “animação de grupos”, para promover interação dos campuseiros.
- Falta de anteparos laterais nos palcos de palestra deixa o som vazar demais para os palcos próximos.
- Falta de latas de lixo (especialmente recicláveis) em TODAS as bancadas.
- Obstáculos demais entre as bancadas: dificultando a passagem das pessoas e a socialização entre elas.
Atividades
- Sarau digital no meio da lan e colado no acampamento: ninguém tinha paz para navegar nem para dormir. Quem queria curtir o show, não podia beber, xavecar, nem nada.
- Debate sobre lei de cibercrimes poderia ter entrado para a história com a participação direta da sociedade (o que faltou à audiência pública): o evento foi interrompido pela presença do governador em exercício próximo ao debate.
- Uma das principais atrações, o ano internacional da astronomia foi retirado do evento, mas continuou na divulgação.
Organização
- Falta de um “guia de boas maneiras” da cparty: muitos campuseiros estúpidos e desrespeitosos.
- Alguns espanhóis da organização foram muito mal-educados: vários relatos de autoritarismo e grosseria.
- Hipocrisia em relação a bebidas e sexo: numa festa as pessoas bebem e ficam. Há de existir uma forma de criar espaço para isso.
- Equipe e estratégia de segurança confusa e ineficiente: houveram muitos furtos.
- A circulação de menores no evento foi criticada por muitos.