Sexta-feira, Julho 28, 2006

Comer, comer


Não adianta...











Minhas conversas com a Inah estão sempre relacionadas ou à comida ou à sexo. Sim, é óbvio que gostamos muito...e gastamos algum tempo, nos deleitando com sabores e conversas picantes, adocicadas. Decepcionantes, excitantes, na maioria das vezes engraçadas.
Quando era mais nova, me divertia horrores com as pessoas que exaustas dormiam nos ônibos, pescavam piaba, babavam na janela. Sempre achei o cúmulo dormir assim "em público". Tá...isso foi antes de passar o dia todo na rua, na UnB estudando ou em algum outro canto trabalhando.Hoje em dia, minha cochilada diária é clássica. Sempre me desligo por 40 minutos e passo pela mesma sensação ao acordar, a de não ter forças pra levantar a bunda dalí e caminhar até me casa.Mas levanto e vou dispertando, com a vista embaçada pela lente,durante o caminho.
Hoje peguei carona com a Marina, uma flor. Em alguns minutos pude conversar do vendaval de coisas e matar a saudade daquele sorrisão....hj não cochilei. Mas cheguei em casa completamente desanimada.
Lógico que as dietas e exercícios físicos rondam nossos papos. E eu havia proposto que corrêssemos no parque pela tarde. Ahhhhhhhhhhhh tatiana..... que idéia?
Lógico que a preguiça somada a uma fome desvairada(não havia comido nada) me deviou o destino...e eu, lógico, a levei junto. Paramos no shopping e depois de comermos "meio mundo", falávamos de sexo tomando sorvete.

Claro...comemos meio mundo hoje e ficamos só com água de coco amanhã.
Quanto ao sexo? ... assunto pra outro dia.






Quarta-feira, Julho 26, 2006

Noite mais Futebol


Gosto das conversas com os amigos...aliás, sou uma pessoa cercada de bons amigos. Como já me disseram, gosto de ser bem quista...fato. Quem não aprecia???
Hoje, enquanto me deliciava com uma tapioca recheada com coco e leite condensado, jogava descaradamente minhas lamúrias a mesa de um café.André me escutava atento, dedicando algum tempo do dia só pra isso...me escutar.
Andrés...esses dias pensei nos Andrés que me cercam...esse de hoje é virginiano, meu carma são os virginianos. Sempre há uma relação tão intensa que me deixa zonza...

A Tapioca derretia em minha boca, goles de cerveja....o dia se esvaia com outros gostos. Me esqueci que hoje fora um dia ruim. Olhos aflitos, tarefas caseiras(regar plantas, lavar panelas, passar roupas).
Me ligaram por volta das 20 horas...ainda estava no café quando me comunicaram
"vamos assistir ao jogo na sua casa!!"
eu: "jogo?"
"Flamengo...a final!!"

Sempre odiei flamenguistas...namorei uns 3. Mas minha criação botafogense nunca perimitiu me bandiar pro lado rubro negro das força. Mané flamengo?
Mal sabia a garota...que...mais cedo ou mais tarde, teria que assistir a jogos e/ou observar atentamente a festa do urubus. Hoje, são bicampeões da Copa do Brasil 2006. grande! viva! upa!
3 amigos e meio...flamenguistas..aqui em casa, bebendo cervejas e comendo Doritos. Por mim? Passaria a noite toda confabulando sobre aventuras com o Diegão na cozinha...ou observando o afilhado do David ( o meio) que completamente envolvido com o jogo, camisa do time, olhos verdes, e alguns poucos anos ....me encantava. Uma graça.
É tudo uma graça, e nunca entendi essa paixão destemida....desde que conheci fanáticos por futebol. Uma tese isso renderia....

A casa deixou por algumas horas de ser silenciosa...adormeci meu corpo com alguma dose de alcool e me retirei cedo.... o fim do semestre tem me afogado. Como a todo ser universitário....

(foto by /www.fotolog.com/dommiguelito)

Domingo, Julho 23, 2006


Me fixei bem no beija-flor que voava lá fora,nunca tive medo de agulha, mas dessa vez não quis ver a moça perfurar meu braço atrás de uma veia.
Pensava que ia doer...mas foi uma picada e meu sangue corria até a bolsa ao lado. Sangue grosso...escuro...o beija flor e suas asas...frágil lá fora. Alguns minutos, um ritual silencioso.A moça de olhos grandes perguntou se passava bem...super bem respondi. E só voltei ás minhas preocupações quanto á minha tia e a gravidade da situação quando enxarcava a boca com um suco doce de abacaxi.
Goiânia...a primeira vez que fui a Goiânia, depois de crescida,achei tudo uma graça.Muitas árvores, pessoas gentis. Mas dessa vez, foi caótico. Não conseguiríamos nos encontrar naquela cidade se não fossem os primos que moram lá. Rua T21 ao lado da T6....e rio das rosas,terminais rodoviários, hospitais do coração e Monte Sinai....avenidas,veias, artérias. Minha cabeça explodia...
Passamos a noite na casa de um primo,distante, revi algumas tias que exibem na pele rugas absurdas...pessoas que encolhem com o tempo,mas que não deixam de sorrir. Na casa em que nos hospedamos um coelho chamado Rodolfo Augusto me distraiu por algum tempo. Não adiantaria estar na porta do hospital...não adiantaria.
Algumas pessoas me olham e enxergam em mim a minha mãe...e as observo, e em alguns traços do rosto ou maneira de falar,gestos, enxergo tb minha mãe. Assim fazemos a troca, inicialmente estranha...até que depois de algum tempo de conversa há o reconhecimento. Sim...meu sangue corre alí!!!
Naquele dia meu sangue foi guardado numa bolsa...e poderia correr num corpo qualquer...
Corpo."É muita coisa prum corpo só!" minha tia disse na nossa última conversa.Ela olhava meu irmão com um olhar infantil, um pouco perdido, um pouco descrente e ao mesmo tempo doce. A dor trazia pra si uma expressão cansada...falta de fome. Minha tia não comia..doía comer.estive muda por esses dias. Simplesmente por não saber o que falar...ela reclamou."Minha caçulinha"

As mãos dela...unhas por fazer, sem esmaltes. Anéis e pulseiras de ouro, era uma mulher vaidosa,toda a vaidade que nem eu, nem minha irmã puxamos. Lá estava ela, sem esmaltes, procurando em sí ou na gente alguma esperança de que tudo ia passar.
É muito prum corpo só....
E ele morre....chega uma hora em que ele morre.
Observava escorada numa pilastra as mãos daquela mulher...dessa vez sem vida.Postas uma sob a outra, brancas e as unhas...as unhas sem esmalte. Só enxergava as mãos gordinhas...as mesmas que muito prepararam aquelas comidas maravilhosas. O doce de leite pra sobrinha...quantas vezes me diluía junto ao doce na minha boca.
Então...abraços. Palavras que tentam confortar...o velório foi numa cidade do interior...pessoas chegavam da roça, foliões, senhoras que carregavam um semblante sereno...o dia estava quente, um sol lindo. Não toquei nela...não enxergava as pessoas, não queria conversar...Não sei o que conversar...O que dizer?
"Meus pêsames". "Sinto muito". detesto...entendo, mas detesto. Não diz...me abraça, mas abraça com força...me deixa chorar no seu colo. É só.

Os cachorros estavam quietos...as flores dela no jardim estavam mudas...completamente.

Quarta-feira, Julho 19, 2006


13 horas, estava em pé numa fila do banco, um rapaz na minha frente ostentava um topete impermeável, imóvel, quase imoral(hahaha)....a minha vontade nos cinco minutos em que esperava era de
bagunçar loucamente aqueles fios "plastificados" e estáticos. Foi um desejo reprimido, óbvio...porque logo ele foi embora, o topete...mal sabia ele, o menino alto, que aquilo me atiçara tal vontade. Ou seria de propósito??
Quando tinha meus 16 anos, resolvi colocar um piercing no queixo, fui num açogueiro que me espetou com olhos gulosos, sádico. Naquela época o que eu mais gostava eram os olhares incomodados, as pessoas não me olhavam nos olhos quando conversavam, mas praquela bolinha de metal no centro do queixo. Muitos questionavam...e alguns me confessavam ter vontade de arrancar aquilo sem dó. Gostava desse dispertar. O desejo de tocar... de mudar, de machucar... e tudo fica só no desejo.
No mesmo dia do banco, lembrei porque há muito tempo não usava aquele All star azul...meus dedos estavam esmagados e eu resmungava baixinho enquanto andava feito uma pata...quando apalpei o bolso da calça e achei um pedacinho de chocolate. Foi bem naquela hora, em que o corpo reclama por repouso, as pessoas agitadas,o trânsito congestionado, buzinas...e eu resmungando. Foi bem nessa horinha que mordi. Na verdade o processo da "mordida" começou assim que descobri o chocolate, abri surpresa, lembrei de quem e quando colocaram ele alí, e enfim mordi.
É um sabor que remete à outro que remete à outro...e me transportei pra outro momento, pra outras sensações.Esqueci dos dedos, das milhões de sacolas que carregava, dos livros,das pessoas emburradas que me rodeavam, do ônibos lotado que me aguardava. Simplesmente ri...
É de chocolate meio amargo que mais gosto, de pães de queijo pela manhã...de bom dia dado ao pé do ouvido...
Pois foi...numa mordida...um suspiro de quase alívio.Que bom! O dia acabou com um sono gostoso de ter,me desliguei dos trabalhos e fotografias pra editar.Precisava descansar.
Ainda bem!

Sexta-feira, Julho 14, 2006

cores.


Então a gente acorda...demora um pouco pra abrir os olhos,se encolhe mais alguns instantes debaixo da coberta.Procura mais segurança...pé direito o primeiro a tocar o chão.
Então a gente acorda, molha a pele ainda quente,goteja, acorda assim...lento. O vento bate na nuca, a rua toda iluminada com um amarelo da manhã simplesmente lindo.Uma senhora carrega um carro recheado de um colorido,verde pêras, laranja cenouras,amarelo bananas.
O frio me faz tencionar alguns músculos...é como se me sentisse mais acordada, as pálpebras esfriam e a cada piscar é uma sensação delicosa de olhos gelados.Casacos,mãos nos bolsos,pessoas encolhidas enquanto andam, nos rostos uma expressão estranha...o frio.
Hoje, num dia frio, ACORDEI. Como se caisse dum "vôo" completamente sem sentido,opaco,mudo. E meu tombo foi por minutos constrangedor,mas em seguida me trouxe uma sensação maravilhosa, pulsante e encantadora.
Sim!! Há dias atrás estaria remoendo a situação, choramingando e sofrendo com minhas conclusões melodramáticas e clichês. Entendo perfeitamente que passar por isso foi essencial, me assutei com minha posição minúscula, resumida e adormecida numa mornidão quase patética. Lógico que algo pulsava em mim..um sonho, um idel. Mas me voltei á ele obssessivamente como se nada mais me trouxesse sabores tão bons quanto.Estava me deixando adoecer, imersa me afogava cada vez mais.
Num dos dias em que por consequência dos meus últimos infernais momentos,eu poderia me dissolver em lamentações e me esconder atrás do cinza, me lembrei das pessoas. De como as pessoas podem ser escrotas e ingênuas. De como as pessoas podem ser maravilhosas e apaixonantes. As escrotas ainda me surpreendem, não me irritam mais, só me decepcionam.É uma pena que seja assim...mas paciência!
As encantadoras...é sobre elas...."Então como eu tenho sorte!", pensei, assim que sentei aqui diante do computador. Ás 02:48, e se fechar meus olhos lembro de quantos abraços, sorrisos,palavras,olhares.Quantos olhares sinceros recebi em apenas uma dia. Sem contar as cores doadas durante toda a semana...as mesmas que recebi, mas por egoísmo ou simples falta de atenção, não correspondi.Quanta perda de energia!
Energia....me envolvi, ri, me diverti.Hoje...é como redescobrir. "Viver apaixonadamente", por que viver senão dessa forma?
Então acordo, lentamente, percebo no almoço com a Sheila e o Rei, enxergo na conversa com a Lili, reconheço na preocupação dos meninos, na raiva e companhia da Inah(hahaha) e no abraço da Ana. Na companhia do André...na companhia de mim mesma. Foi esse o caminho, foram esses os sorrisos e as palavras, risadas, histórias,as pragas!!!
Então, como eu tenho sorte!!! Muita!! E só tenho que me permitir viver essas pequenas paixões que tomam.
Não...hoje não foi o suficiente pra mudar minha vida, mas, cada pessoa alí, cada um trouxe o calor que sumira.Um afago...um tapinha, uma careta, umas história, um doce... minúncias,retalhos...E eu só tenho a agradecer encantada!!

Segunda-feira, Julho 10, 2006

Anjo gordo?? Dieta pra ele...


A primeira carta que recebi ano passado,falava de uma estorinha sobre anjos. Sempre brinquei que não acreditava em anjos, porque tinha ciúmes...era por ciúme que mantinha a postura menos romantica. Era melhor não assumir estar caidinha de amores....era melhor não.
A estória era mais ou menos assim, contava que na nossa vida, nos envolvemos com alguns anjos, sem saber.Duas espécies deles...o gordo e o magro. O anjo gordo é aquele que cuida da gente, nos trata, nos dá fôlego mas não voa conosco exatamente por ser pesado demais. O magro é o ideal...nos encontra curado e voa conosco longe, bem alto. O resumo da ópera: li e reli sem acreditar que ele me colocara como anjo gordo. Uma otária que o curou de sei lá o que e não pôde voar junto. Como se ele tivesse me dado essa opção, tivesse me colocado em seus planos ou pelo menos me convidado a viajar.
Devo ter largado a carta dentro de algum livro velho..nunca mais a vi.Nunca mais quis falar sobre ela, me senti rejeitada ao dobro.Por ter sido deixada e por não ter sido lembrada como devia. Conversávamos ontem sobre a copa..sobre a cidade aonde ele vive, sobre o fato de nesses 10 meses termos mudado bastante. Pensei no tanto que cresci...que evoluí e nos projetos que me cercam. E no tanto que ele faz falta.
Na verdade sinto falta de paixões...creio que nunca passei por um momento como o de agora, um tanto opaco, sem vigor.Sem paixão.Mistura de melancolia....goles nostálgicos.sempre fui nostalgica, e nada como um episódio desses na minha vida pra alimentar essa característica estranha. Não dizem que: quem vive de passado é museu? capricorniana...deve ser isso.Vivo de lembranças...revivo.Saudade...de muita gente, de muita coisa,gostos, perfumes,palavras.
Acontece que hoje acordei mandando os anjos gordos e os magros pro inferno, velhas histórias das quais só evoluiría se estivesse as vivendo hoje, por completo e não pela metade.
De ares novos, cores novas e sabores diferentes, talvez exóticos, disso quero viver agora.Simples assim.
Inclusive a noite teve início com uma conversa muito séria...e uma visita muito bem vinda. Inah sempre me traz uma alegria...a gente riu das besteiras e ela me deu um "chega pra lá...acorda minha filha".
Amanhã começamos o plano "perca peso agora" hahahahahahaha.


Domingo, Julho 09, 2006

tonta.




Testei todas possibilidades de fotografar a passarela sem flash, taca iso 800 pra cima e seja feliz.Enquanto fuçava nas lentas, um rapaz sentou ao meu lado. Ostentava uma 20d e olhos azuis, sotaque carregado, alguma inquietude talvez.
Conversamos sobre a nossa primeira vez ao fotografar desfile e sobre o Rio de Janeiro.Mas, logo em seguida desisti de conversar mais...devo ter lembrado que não gosto do sotaque carioca.
Logo o que todos esperavam ansiosamente teve início,e foi muita coisa estranha indo e vindo.No mínimo divertido, animado. As modelos algumas vezes corriam com os passos largos,finas, por outras posavam lindamente pra gente. Gostei de fotografá-las,mas depois de algum tempo, meus dedos doíam,a máquina mais lente pesam um absurdo.
Enfim, saí zonza de fome e nem consegui me despedir das organizadoras.Inah já me esperava no carro com a Rafa e daí em diante a noite foi regada a risos e cantadas baratas.Sim...fico impressionada com o nível das últimas cantadas que recebi.Quase enojada...quase cansada e se não fossem as meninas já tinha ido embora.
O pior desse fim de semana foi acordar na sexta me perguntando o que havia comido de estragado, a tontura só aumentava toda vez que saia da cama...dali soro, dali soro.Pra sarar me escondi num recanto qualquer...fui brincar com meu sobrinho e comer sonhos com minha irmã, esquecer das milhões de fotos pra editar e trabalhinhos a fazer.
Fez bem. voltei renovada, quase curada!


Quarta-feira, Julho 05, 2006

O caminho mais longo.


Descobri que não sou a pessoa certa para dar informações. Foi essa conclusão a qual cheguei depois de desenhar atenciosamente todo o caminho até o Pátio Brasil para um rapaz, muito bonito por sinal, palestrante carioca do N'design. O fato é que sempre mostro o caminho mais longo, talvez porque escolho sempre caminho mais longo, tiro o tempo de ir e vir dentro dos ônibos pra ler algumas peças.Me acostumei com esse "ritual" do caminho mais longo e me envergonho quando o passo pra frente...sem querer.
Enquanto esperava por mais um ônibos,uma senhora demorou uns dez minutos pra abrir um saquinho de plástico.E o barulhinho me irritava e cada vez mais.Também não tenho habilidade em desfazer nós, logo corto com o dente ou largo fora....a minha impaciência quase me sufoca.Não tem como sair correndo de mim.Olhei pra senhora e ofereci ajuda."Não filha,já consigo abrir.Quer biscoito?". Sorri e voltei a olhar pra estrada.
E fica dificil imaginar alguma melhora...

Mas depois do fim de tarde frio, me diverti com a vida banhada à alcool e sexo de Henri Chinaski no filme Factotum-Sem Destino.Filme baseado na obra homônima de Charles Bukowski...que por sinal não li ainda mas já pude observar as pitadas irônicas que muito me envolveram
Gostei muito de como a história se desenrola...achei que iria dormir, mas a vida de "merda" do escritor e seus casos ressaquiados não me deixaram ver o tempo passar.

Recomendo!!

Segunda-feira, Julho 03, 2006

Em dias frios...



" ah...de vez em quando você me dá vontade,nem sei.Vontade de te quebrar a cara, palavra de honra. Desconfio que você gosta de apanhar.Há homens que gostam!"
(Nelson Rodrigues em Todas Nudez será Castigada)

Essa é a vontade do dia,
frio,
seco,
quase mudo.
A de te encher a cara com tapas,
até que sua pele pareça
um mapa...e eu possa sentir em cada hematoma
os continentes em que fui mais feliz.