É engraçado quando não consigo me levar a sério. Na verdade mergulho em uma tempestade de indicações e possíveis citações. Grandes nomes, longas goladas de café. Porque afinal viciei em café. De tanto brincar que queria algum vício. Ainda ousei em pedir algum vício que me matasse bem rápido...isso foi numa outra época. E a ousadia não passou de um blefe.
Esperei o ônibus ansiosa, queria simplesmente sair daquela w3 barulhenta e molhada, gotas da chuva acalmando o asfalto que ferve aquela hora da tarde. Eu quis ter asas, como 89,54% das pessoas bobas. E quis brindar com aquela senhora cansada, o gosto que ambas temos por vermelho.
500, 500 e 500... quando a entrevistadora lançou com a boca rápida, parecia ter vergonha, medo de retaliações imediatas. Eu quis picar aquela cena em retalhos sim, e colar numa linda e lisa folha branca, mosaico dos dias sem nexo. Mas enfim, quando ela disse, quinhentos, rápidos e miúdos quinhentos, escutei como um tapinha nas costas. Antes fosse um berro, que o bafo viesse quente e me fizesse fechar enfim os olhos. Mas não, lá fiquei, um tanto, estática, estrábica, de olhos bem abertos. Recebendo mais informações sobre o possível emprego, respirando lenta.
E com três desejos únicos, reverberando em mim.
Ir embora voando era um deles, tomar uma xícara de café era outro.
O desejo do meio, se embolou em mim e não largou mais.