Segunda-feira, Maio 26, 2008

dos sentires.


Foi no escuro que decidiu dizer, que ama, que bem queria mais dos entrelaços de pernas, dos amanheceres amassados. No meio de uma dança, pulsada dos deslizes, costurando novos retalhos... não há passado ou presente que me cale. É tudo vivo, amalgamado, embolado na ciranda.
Do vinho barato, cores em tela, receios expulsos, um pulo bem dado. Tenho alma de gato, e morrer várias vezes vira charme. Já dizia a bruxa querida, morrer dessas mortezinhas. De bem "querência", cuidando do jardim, plantando mais amoras. Amores por vir. Amores daqui. Boas visitas, de abraço longo, de silêncio puro.
Estive em mergulho, por pessoas...estou. Encantando-me com o traço, com o compasso...deixando-me em rebuliço, corada, molhada. Luas alaranjadas.
Hoje me sinto tão viva, que me transborda.
Precisava dizer.

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Segunda-feira, Abril 21, 2008

dois no Rio.









O Rio de Janeiro me veio com gosto salgado na boca, bravo mar, ondas que em ciranda cantavam o novo.
Dos 7 dias corridos, preguiçosas manhãs, e o sol também nos visitou. Moramos no Leme, na casa de um casal muito lindo, em tardes chuvosas desviávamos de poças e cães. Esquinas antigas, padarias, botecos, azulejos engordurados, frutas expostas. Um café preto mais enrolado eram nosso despertar. Cheiro de mar, misturado a fumaça dos carros e sim, sempre entre sombras das árvores lindas que enfeitam as ruas de lá.
O tempo correu, escorreu junto com a chuva que nos batizava, respingou espumando nos pés cobertos de areia. Foi abraço, entreolhares, encaixando-se. Melodia.
Sentimos música, tocamos piano, tambores, abês, violão, apitos, nos tocávamos, entrelaçando dedos, entrelaçando pernas, entrelaçando zunidos.
Conhecemos Copacabana, as sutilezas de Ipanema, a malemolente Lapa, a bucólica Cinelândia, lombas de Santa Teresa. Conhecemos a nuca um do outro, o cheiro, bêcos. Nos carinhamos no bonde.
Pessoas também, holandesa, espanhol, francesa, italiana, cariocas...lindas e macias cariocas, barbados e sambistas cariocas. Hippies, velhos, risos. Carinho dos gatos que nos cruzaram caminhos.
E experimentamos, de boca aberta, de olhos fechados, cachaças, devassas (à ruiva o brinde da noite), feijoada, camarões, aipim, cervejas (nunca mais Itaipava), massas, molhos, aipo e açaí. Sucos, lambidas, doces franceses e nosso petit gateau. que sempre vai ser nosso.

E Rio foi assim, rio-me daqui.
quase sonho, realizado, de encontros nessa vida. esse fica marcado, aninhado, muito bem lembrado....e já me é sinal de saudade. Do gaúcho pianista e mágico.
Alma desarmada, muito bom te amar!

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