Segunda-feira, Abril 21, 2008

dois no Rio.









O Rio de Janeiro me veio com gosto salgado na boca, bravo mar, ondas que em ciranda cantavam o novo.
Dos 7 dias corridos, preguiçosas manhãs, e o sol também nos visitou. Moramos no Leme, na casa de um casal muito lindo, em tardes chuvosas desviávamos de poças e cães. Esquinas antigas, padarias, botecos, azulejos engordurados, frutas expostas. Um café preto mais enrolado eram nosso despertar. Cheiro de mar, misturado a fumaça dos carros e sim, sempre entre sombras das árvores lindas que enfeitam as ruas de lá.
O tempo correu, escorreu junto com a chuva que nos batizava, respingou espumando nos pés cobertos de areia. Foi abraço, entreolhares, encaixando-se. Melodia.
Sentimos música, tocamos piano, tambores, abês, violão, apitos, nos tocávamos, entrelaçando dedos, entrelaçando pernas, entrelaçando zunidos.
Conhecemos Copacabana, as sutilezas de Ipanema, a malemolente Lapa, a bucólica Cinelândia, lombas de Santa Teresa. Conhecemos a nuca um do outro, o cheiro, bêcos. Nos carinhamos no bonde.
Pessoas também, holandesa, espanhol, francesa, italiana, cariocas...lindas e macias cariocas, barbados e sambistas cariocas. Hippies, velhos, risos. Carinho dos gatos que nos cruzaram caminhos.
E experimentamos, de boca aberta, de olhos fechados, cachaças, devassas (à ruiva o brinde da noite), feijoada, camarões, aipim, cervejas (nunca mais Itaipava), massas, molhos, aipo e açaí. Sucos, lambidas, doces franceses e nosso petit gateau. que sempre vai ser nosso.

E Rio foi assim, rio-me daqui.
quase sonho, realizado, de encontros nessa vida. esse fica marcado, aninhado, muito bem lembrado....e já me é sinal de saudade. Do gaúcho pianista e mágico.
Alma desarmada, muito bom te amar!

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Sexta-feira, Abril 18, 2008

Hoje foi assim comigo

(fotografia cesar netto)



"Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de , não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.

Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorrera sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta, mesmo sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda- e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.

O caminho lento aumenta as coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo- espantada de pé, fertilizada...."

(Clarice Lispector, As águas do mar)

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Quinta-feira, Abril 17, 2008

ah essa ressaca

é que na Lapa fui torta, sem samba, com cachaça
amigos, risada. Foi curta, num dos cinemas mais antigos da cidade
depois faceira, aninhada em riso largo do menino gaúcho.
É que na Lapa fui bêbada, fui zonza e um pouco acanhada,
vim doida, apaguei na cama, não vi mais nada.
Cuidada.
Só hoje com pão de queijo e café, suco de laranja, cafuné, sono mais pesado...
areia entre dedos, de Copacabana até o Maracatu mais próximo.
E foi no tambor que curei da ressaca, no Abê lembrei das macias amigas, de lá.

De lá alma lavada, cerveja gelada. O sono companheiro me chega suave, banho de noite, carinho mais tarde.
que vida mansa!
tchê.

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Terça-feira, Abril 15, 2008

aqui no rio chove

O bom da chuva é
...
poder grudar e amassar e se enroscar debaixo da coberta a manha toda.
brincar de pular poças d'água enquanto procura uma padaria que venda sonhos deliciosos.
achar bolsas de feira prontas para se bordar.
rir com o gaúcho brabo com o clima.

e sim
pensar muito em cafés, capuccinos e
lugares quentinhos e gostosos
com sotaque carioca.
nhammm[

delícia!!

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